terça-feira, 28 de abril de 2009

Relaxar é como escovar os dentes

Relaxar pode e deve ser uma atitude consciente, aprendida, exercitada e melhorada. Não precisamos depender de relaxantes musculares, paisagens calmantes, ofurôs, massagens ou drinks para nos livrarmos do estresse. Por isso, vale a pena entender como encaixar a prática do relaxamento no nosso cotidiano.
Nós não podemos viver constantemente relaxados, porque em muitas situações do dia-a -dia precisamos de uma certa tensão muscular e adrenalina pra dar conta de tudo. Mas podemos aprender como desfazer as tensões diariamente, da mesma forma como limpamos as sujeiras do corpo todos os dias ao tomar banho e escovar os dentes.
É interessante conhecer a linda teoria (e prática) chamada "autorregulação", criada pela norueguesa Gerda Boyesen. Trata-se exatamente desta limpeza diária para que o corpo não paralize, cristalize, enrijeça ou adoeça, se ocorrer a "digestão das tensões". Gerda explica que o aparelho digestivo não digere apenas os alimentos físicos, mas também todas as tensões e emoções do dia- a-dia, como medo, raiva, sustos e até mesmo uma alegria muito grande. Quando a emoção é forte demais, nosso corpo dá um jeito de amenizar a percepção da mesma, bloqueando a respiração e enrijecendo a musculatura. Mas apesar disso, se a emoção não for digerida, poderá ficar armazenada e inconsciente.

Um jeito muito simples de começar a se autorregular e digerir as emoções é assim:
1
À noite, antes de dormir, já deitado na cama, feche os olhos e perceba seu corpo. Onde está tenso? O que estou fazendo para tensionar esta parte do meu corpo? Repare na inevitável contração dos olhos, mandíbula e pescoço, os campeões de tensão.

2
Solte-se, mande seu corpo relaxar tal lugar e sinta o que acontece. Preste atenção à respiração e massageie as partes do corpo que estão tensionadas. A melhor automassagem ou relaxamento são aqueles que realizamos de forma intuitiva, ouvindo o que o corpo está pedindo naquele determinado momento. Pode ser uma pressão ou esfregação nos músculos, pode ser um alongamento ou mesmo um movimento. Pode ser simplesmente repousar as mãos sobre seus olhos cansados.

3
Descubra-se! Às vezes o corpo vai mostrando o que fazer a seguir no processo de autorregulação. Por exemplo após um alongamento pode surgir uma vontade de chacoalhar as pernas para cima, um sinal de que a circulação quer ser ativada. Respeite a vontade, não se iniba!

Se a sua barriga fizer um barulhinho e a sensação for boa (diferente da fome), isto é o peristaltismo se abrindo, os movimentos intestinais sendo ativados e as tensões sendo digeridas! O aumento da peristalse é só um dos sinais de auto-regulação, existem muitos outros, como bocejos, aumento da salivação, lacrimejamento, vontade de se espreguiçar...
Com o tempo e a prática, você será capaz de perceber e manejar suas tensões até nas mais turbulentas situações, em qualquer lugar e a qualquer hora, basta parar um pouco e ouvir seu corpo. Assim, terá um corpo e mente mais vivos!

sábado, 25 de abril de 2009

PROCURE O BEM

Parecia que ele estava carregando todos os seus livros.
Eu pensei:
'Por que alguém iria levar para casa todos os seus livros numa Sexta-Feira? Ele deve ser mesmo um C.D.F'!
O meu final de semana estava planejado (festas e um jogo de futebol com meus amigos Sábado à tarde), então dei de ombros e segui o meu caminho.
Conforme ia caminhando, vi um grupo de garotos correndo em direção a Kyle.
Eles o atropelaram, arrancando todos os livros de seus braços, empurrando-o de forma que ele caiu no chão.
Seus óculos voaram e eu os vi aterrissarem na grama há alguns metros de onde ele estava. Kyle ergueu o rosto e eu vi uma terrível tristeza em seus olhos.
Meu coração penalizou-se! Corri até o colega, enquanto ele engatinhava procurando por seus óculos.
Pude ver uma lágrima em seus olhos. Enquanto eu lhe entregava os óculos, disse: 'Aqueles caras são uns idiotas! Eles realmente deviam arrumar uma vida própria'. Kyle olhou-me nos olhos e disse: 'Hei, obrigado'!
Havia um grande sorriso em sua face. Era um daqueles sorrisos que realmente mostram gratidão. Eu o ajudei a apanhar seus livros e perguntei onde ele morava.
Por coincidência ele morava perto da minha casa, mas não havíamos nos visto antes, porque ele freqüentava uma escola particular.
Conversamos por todo o caminho de volta para casa e eu carreguei seus livros. Ele se revelou um garoto bem legal.
Perguntei se ele queria jogar futebol no Sábado comigo e meus amigos. Ele disse que sim. Ficamos juntos por todo o final de semana e quanto mais eu conhecia Kyle, mais gostava dele.
Meus amigos pensavam da mesma forma.
Chegou a Segunda-Feira e lá estava o Kyle com aquela quantidade imensa de livros outra vez! Eu o parei e disse:
'Diabos, rapaz, você vai ficar realmente musculoso carregando essa pilha de livros assim todos os dias!'.
Ele simplesmente riu e me entregou metade dos livros. Nos quatro anos seguintes, Kyle e eu nos tornamos mais amigos, mais unidos. Quando estávamos nos formando começamos a pensar em Faculdade.
Kyle decidiu ir para Georgetown e eu para a Duke. Eu sabia que seríamos sempre amigos, que a distância nunca seria problema. Ele seria médico e eu ia tentar uma bolsa escolar no time de futebol. Kyle era o orador oficial de nossa turma. Eu o provocava o tempo todo sobre ele ser um C..D.F.
Ele teve que preparar um discurso de formatura e eu estava super contente por não ser eu quem deveria subir no palanque e discursar.
No dia da Formatura Kyle estava ótimo.
Era um daqueles caras que realmente se encontram durante a escola. Estava mais encorpado e realmente tinha uma boa aparência, mesmo usando óculos.
Ele saía com mais garotas do que eu e todas as meninas o adoravam! Às vezes eu até ficava com inveja.
Hoje era um daqueles dias. Eu podia ver o quanto ele estava nervoso sobre o discurso. Então, dei-lhe um tapinha nas costas e disse: 'Ei, garotão, você vai se sair bem!'
Ele olhou para mim com aquele olhar de gratidão, sorriu e disse: -'Valeu'!
Quando ele subiu no oratório, limpou a garganta e começou o discurso:
'A Formatura é uma época para agradecermos àqueles que nos ajudaram durante estes anos duros. Seus pais, professores, irmãos, talvez até um treinador, mas principalmente aos seus amigos. Eu estou aqui para lhes dizer que ser um amigo para alguém, é o melhor presente que você pode lhes dar.Vou contar-lhes uma história:'
Eu olhei para o meu amigo sem conseguir acreditar enquanto ele contava a história sobre o primeiro dia em que nos conhecemos. Ele havia planejado se matar naquele final de semana! Contou a todos como havia esvaziado seu armário na escola, para que sua Mãe não tivesse que fazer isso depois que ele morresse e estava levando todas as suas coisas para casa.
Ele olhou diretamente nos meus olhos e deu um pequeno sorriso.
'Felizmente, meu amigo me salvou de fazer algo inominável!' Eu observava o nó na garganta de todos na platéia enquanto aquele rapaz popular e bonito contava a todos sobre aquele seu momento de fraqueza.
Vi sua mãe e seu pai olhando para mim e sorrindo com a mesma gratidão.
Até aquele momento eu jamais havia me dado conta da profundidade do sorriso que ele me deu naquele dia.
Nunca subestime o poder de suas ações. Com um pequeno gesto você pode mudar a vida de uma pessoa. Para melhor ou para pior.
Deus nos coloca na vida dos outros para que tenhamos um impacto, uns sobre o outro de alguma forma.
PROCURE O BEM NOS OUTROS!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Belezas da Terra vistas do espaço

A imagem mostra o Parque Nacional de Vulcões, no Havaí, onde estão dois dos vulcões mais ativos do mundo.


A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) apresenta em Paris a exposição Vista excepcional - O Espaço observa nosso patrimônio mundial, com 30 fotos em grande formato (2m x 1m) tiradas por satélites que mostram belezas culturais e naturais do planeta.

Siga lendo aqui e veja mais fotos.

sábado, 18 de abril de 2009

Atitude é Tudo



Este é um comercial indiano, bem interessante, ele não vende nenhum produto.

Fala da diferença que faz uma pessoa com iniciativa ... e iniciativa é tudo ... sempre.

Faça a sua parte, nós somos capazes de motivar muitos outros....e sem atitude a vida não é nada.....

terça-feira, 14 de abril de 2009

Pra refletir...

sábado, 11 de abril de 2009

O ovo

O ovo é um símbolo que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que é o símbolo da vida.Os ovos tornaram-se símbolo oficial da Páscoa no século XVIII.
Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este "ovo cósmico" aparece depois de um período de caos.
Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o "Sopro divino"), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao céu e a terra - simbolicamente é possível ver o céu como a parte leve do ovo, a clara, e a terra como outra mais densa, a gema.
O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yan).
Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.
Na tradição cristã, o ovo aparece como uma renovação periódica da natureza. Trata-se do mito da criação cíclica. Em muitos países europeus, ainda hoje há a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano.
Fonte: http://www.terra.com.br/almanaque/datas/index.htm

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Retiro Espiritual em Sorocaba

Convidamos você a experimentar uma vivencia espiritual inesquecível na Escola de Educação Infantil Neo-humanista JARDIM ECOLOGICO em Sorocaba-SP.
Uma grande oportunidade de aprofundar-se em si mesmo e ampliar seu conhecimento da consciência suprema.

Programa

· Palestras sobre espiritualidade com monges
· Aulas de Asanas (posturas de Yoga)
· Ensino de meditação individual
· Meditação coletiva
· Kiirtan (Dança e canto do mantra universal “BABA NAM KEVALAM”).
· Programas culturais com expressões artísticas
· Deliciosa comida Lacto - vegetariana.

Investimento
· Adultos: R$ 120
· Estudantes R$ 60
· Crianças R$ 40
· Casais R$ 200

Chegada: Dia 30 de abril a partir das 18 h
Termino: Domingo 3 de Maio após almoço.
Local: Rua Santo Eduardo 165 -Vila Nova Astúrias- Brigadeiro Tobias-Sorocaba.
Fone: (15) 3236-4499
E-mail: jardimecologico.anandamarga@gmail.com

ROBERT HAPPÉ,



Ele nasceu em Amsterdã, Holanda, debaixo de um bombardeio. O pai havia sido preso por soldados alemães e a família de mulher e três crianças foge para uma cidade menor e mais segura. O irmão e a irmã mais velhos brincam na rua, enquanto a mãe tenta dar de comer para o mais novo. Aviões sobrevoam o lugarejo. Nova explosão e a rua inteira está em ruínas. Da casa só resta a cozinha. Da família só ficam a mãe e o garoto. A mulher desaparece e uma família pega o menino para criar. Pouco mais de um ano após o fim da guerra, um homem aparece e diz: "Eu sou seu pai." O menino se agarra ao destino. O pai encontra a mãe em um hospital psiquiátrico e a família volta para Amsterdã para recomeçar a vida e continuar o drama. Uma nova criança nasce, dando força â família do pós guerra. Mas a mulher adoece de câncer e tempos depois morre. O garoto continua vendo a mãe, que aparece para dizer que "tudo está" bem. Com seus 16 anos, ele coloca uma mochila nas costas e parte para a grande aventura de descobrir o mundo e seus mistérios.

"Por que a vida é assim? Por que todo mundo mata todo mundo? Por que tanto sofrimento?"

Ele estuda psicologia, mas não encontra respostas ali. É tempo de servir o Exército, mas o jovem não quer aprender a matar pessoas. Fica preso por desobediência, lava latrinas e trabalha na cozinha, até que o Exército se livra do soldado fracassado. Sem dinheiro e com muito pouco a perder, o rapaz viaja pela Europa de carona. Na Suíça, trabalha na cozinha de um restaurante. Depois, de garçom em bares da Espanha. Conhece o submundo dos clubes de jogos na Inglaterra, onde trabalha nas mesas de pôquer. As antigas perguntas permanecem na cabeça e ele segue para o Líbano atrás das respostas. Depois passa cinco anos estudando Filosofia Oriental na Índia.Não foi suficiente e ele continua viajando pelo país. Depois vai para o Nepal, Tibet e, finalmente, Camboja, onde, aos 31 anos, termina a busca e começa a missão de dividir com o mundo seus conhecimentos sobre o significado da vida. Hoje, aos 65 anos, o filósofo Robert Happé é um desses seres humanos raros, que abraçam e beijam todo mundo.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Que estejamos todos BEM

sexta-feira, 3 de abril de 2009

VIVER INTELIGENTE

Dia 16 de abril, 19h30

Que tal parar um pouco para respirar calma e pausadamente, recuperar o seu centro, observar-se, ouvir palavras que alimentam a mente e o coração em companhia de pessoas que partilham dos mesmos anseios?
O Mestre Indiano Swami Sarvabhutananda visita Sorocaba a convite do INSTITUTO NAMAHA para compartilhar a visão dos Sábios e ajudar, com suas palavras claras e precisas, a compreender os aspectos fundamentais da busca espiritual.
O que é um Swami? Um Swami é um monge, é alguém que dedica sua vida à compreensão espiritual e a partilhar com os demais essa sabedoria.
Ele conduzirá uma palestra que visa estruturar um “VIVER INTELIGENTE” em que as exigências do cotidiano não nos impedem de apreciar a magia de estarmos vivos, em que o esforço para cumprir nossas responsabilidades não nos tira a paz, em que a interação com o mundo acontece sem perdermos a nossa consciência da realidade espiritual das coisas.

Quem é o Swami?
SWAMI SARVABHUTANANDA tornou-se um Krama Sannyasa ao completar os estágios de Brahmacharya, Grihasta e Vanaprashta. O que isso significa? Isso quer dizer que, seguindo o modelo definido pelos sábios indianos da antiguidade, ele viveu todas as etapas da vida humana apreciando suas alegrias e sofrimentos antes de se tornar um monge.
De fato, ele viveu a vida de jovem estudante, a de chefe de família, a de peregrino e, assim, pode chegar à maturidade entrando na etapa de monge com a lucidez e sabedoria de quem viveu intensamente a vida.
Ao longo de sua vida profissional, ele ocupou as posições de presidente, diretor, e conselheiro de várias Corporações, foi Consultor Administrativo e Diretor nomeado do IFCI (INDIA), tendo viajado pela Índia, Estados Unidos, Itália, França e Alemanha. Como chefe de família Swamiji vivenciou as vicissitudes de ser esposo, pai de dois filhos e uma filha e avô.
Por isso é que suas aulas, tranqüilas e profundas, refletem a viagem frutífera de uma alma que atravessa o rio do sofrimento com ajuda da sabedoria milenar conhecida como Vedanta, do Yoga e da Meditação. É por isso que seus olhos brilham de alegria e compaixão ao ver as dores e ousadia de quem está se iniciando nessa viagem rumo à plenitude.
Em sua caminhada espiritual, ele estudou em vários ashrams e com diversos monges como SWAMI SWAROOPANANDA em Hyderabad e SWAMI SIDDHABODHANANDA em Coimbatore. Swamiji é um discípulo do grande mestre SWAMI DAYANANDA SARASWATI desde 1972 e foi através dele que tomou os votos da renúncia em Abril de 2002 em Rishikesh, aos pés dos Himalayas, nas margens do sagrado rio Ganges.

INVESTIMENTO R$20,00

LOCAL Namaha – Instituto de Terapias Complementares e Yoga
Rua Ângelo Elias, 673 – Santa Rosália
mapa no site www.institutonamaha.com.br

INSCRIÇÃO institutonamaha@institutonamaha.com.br ou ligue 3232-9817

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Relógio Mundial


Para refletir....

Relógio Mundial

http://www.poodwaddle.com:80/clocks2pw.htm

quarta-feira, 1 de abril de 2009

CONHECENDO ECKHART TOLLE


Faço esta apresentação porque considero os ensinamentos, dele, alinhados àqueles que são abordados nas palestras de Krishnamurti; entretanto, a linguagem é mais acessível ao leitor ainda não acostumado com esta linha de leitura. Certamente, servirá para esclarecer muitos pontos, que as vezes não captamos lendo Krishnamurti.

Eckhart Tolle é um mestre espiritual ocidental, porém profundamente alinhado com a tradição meditativa do Oriente. Hoje mundialmente conhecido pelo livro O Poder do Agora, durante muitos anos ele compartilhou sua experiência de realização interior apenas com um número muito reduzido de buscadores.Nos textos que transcrevemos a seguir, Eckart fala a respeito destes primeiros tempos e como o estado de iluminação impactou radicalmente sua vida. Avalia, também, o processo mais amplo de transformação da consciência humana e seus possíveis reflexos no futuro do planeta.


O material foi extraído de uma entrevista concedida por Eckhart à norte-americana Jenny Simon. O encontro aconteceu em Vancouver, no Canadá, onde o mestre (alemão??) atualmente vive.


Jenny Simon - As pessoas ao seu redor devem pensar que você é um pouco lunático. Em sua experiência interior, você nunca questionou o que aconteceu?


Eckhart - Não. Era tão claro e não havia nenhuma pergunta sobre uma realidade que era tão óbvia. Uma vez eu disse que mesmo se tivesse encontrado o Buda e ele me apontasse “não, não é isso”, eu diria – “que interessante, mesmo Buda pode estar errado”. Isto não é algo do ego, é só para deixar claro como essa realidade é tão óbvia que nenhuma questão mental, nenhuma pergunta adiantaria. Por exemplo, se alguém me desse uma maçã e dissesse “não, não é uma maçã”, eu diria “não, eu sei que é”.


Jenny Simon - Você aponta que seu estado de consciência implicou numa redução de 80% na atividade de sua mente pensante. Isso criou alguma espécie de carência ou algo parecido?


Eckhart- Bem, não tanto para mim, mas para as pessoas ao meu redor (risos). Isso é certo, pois as pessoas que me conheciam, especialmente a família, pais, alguns amigos, pensaram que algo errado tinha acontecido comigo – isto porque por algum tempo, após a mudança, eu prossegui com as estruturas externas de minha vida. Apenas prosseguia como se nada houvesse acontecido, porque ainda havia um “momentum” e continuei seguindo-o durante três ou quatro anos. Então percebi que essas estruturas externas estavam totalmente fora do alinhamento com meu ser – no mundo acadêmico totalmente dominado pela mente, o ego dominado completamente. Então aconteceu um momento em que deixei tudo para trás...Foi aí que as pessoas pensaram que eu estava realmente louco – abandonado uma promissora carreira acadêmica e indo sentar-me em um banco do parque, sem fazer mais nada. Era bem estranho, porque eu não tinha nenhuma orientação espiritual, ninguém para dizer-me “você não precisa viver no banco do parque, você pode continuar funcionando no mundo”. Eu defini isso por mim mesmo. E isso levou bastante tempo, para que então eu pudesse de novo continuar funcionando no mundo. Por uns tempos, o estado da presença, do ser, era tão satisfatório, belo e completo que perdi todo o interesse no futuro... quanto mais ter ambição ou viver para adquirir isto ou aquilo. Se o momento presente era tão preenchedor, por que precisaria do futuro? Mas naturalmente, no nível prático o futuro ainda opera, e saber disso às vezes ajuda. Você precisa tomar um avião daqui a alguns dias, ou aprender algo que leva certo tempo, aprender uma língua, ou o que quer que seja. Mas, eu não mais necessitava do futuro, internamente, e passaram-se anos antes que eu começasse a ser capaz de lidar com o mundo novamente, sem necessitar dele – era quase como uma forma de brincadeira. Iniciar coisas, fazer coisas e, miraculosamente, também um bom tanto de coisas vinham a mim... Mesmo enquanto estava sentado no banco do parque, com quase nada em meu bolso, geralmente no último momento alguma ocorria ou alguém vinha e novamente eu tinha algo com que viver, por enquanto. Milagrosamente isso sempre acontecia, e gradualmente, então, eu comecei a funcionar no mundo de novo.Devo dizer que duas ou três vezes tentei voltar às estruturas do mundo, sentia que meu tempo no banco do parque estava terminando, então me dizia: “Ok, é melhor eu fazer alguma coisa”. Uma vez me candidatei a um emprego, e isso é bem engraçado, um emprego num banco mercantil na cidade de Londres (riso). Durante a entrevista, ouviram-me com interesse, mas não me deram o lugar. Depois candidatei-me a um emprego acadêmico e houve outra entrevista, só que devo ter dito algo, embora tenha procurado evitar a linguagem espiritual, mas... havia seis ou sete professores ao meu redor e ao final da entrevista um deles me perguntou: o que você realmente quer fazer? (riso). E na realidade não havia nada que eu realmente quisesse fazer, então essa foi a minha última entrevista – eu percebi que na realidade não queria voltar às estruturas do mundo.Foi então que gradualmente as pessoas vieram e passaram a me fazer perguntas, começando com situações de ensino informal. Algo um pouco mais estruturado surgiu e então eu me tornei um professor espiritual aos olhos do mundo (risada), foi isso que aconteceu. Não ganharia um emprego se colocasse no meu currículo “não mais preciso pensar”, mas realmente é o que acontece. O próprio poder de ensinar vem desse estado, da consciência. Não sou eu, e sempre que começo a falar tenho essa sensação de que não tenho nada, absolutamente nada, a dizer. Assim, não é realmente esta pessoa que está fazendo qualquer coisa. Todo o ensinamento que tem causado um certo impacto no mundo vem desse estado de não-pensamento, não tem nada a ver com esta pessoa aqui... (riso)


Jenny Simon - Eu ouvi você várias vezes citar o mestre indiano Ramana Maharshi. Como se mede o progresso espiritual? É pela ausência do pensamento? Você acredita nisso realmente?


Eckhart - Sim, sim. No grau da ausência de pensamento, sim, está certo. É simples, muito simples.A mente pode dizer: “ok” – mas isto significa que não fiz nenhum progresso, porque estou pensando o tempo todo. Talvez você não saiba que já há ausência de pensamento em si, talvez algum breve momento, mas não importa...

Envio o link para as palestras de Eckhart Tolle. Caso não tenha visto,são maravilhosas!