segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Uma breve biografia de Shrii Shrii Anandamurti

Shrii Shrii Anandamurti, também conhecido como Shrii Prabhat R. Sarkar (1921-1990), foi filósofo, reformista social, humanista e mestre espiritual. Através de seus ensinamentos e trabalhos, inspirou milhares de pessoas a transformarem-se em neo-humanistas – pessoas que assumem a responsabilidade de salvaguardar o bem-estar de toda a Humanidade. Além disso, foi autor de vários livros, poeta e compositor.

Sua Vida

Shrii Shrii Anandamurti, nasceu em 1921, em Jamalpur, uma pequena cidade do estado de Bihar, na região Leste da Índia. Entre uma família de cinco crianças, ele foi o filho mais velho. Uma de suas irmãs morreu ainda nova; e seus dois irmãos mais novos ainda estão vivos. Após a conclusão do segundo grau em Calcutá, em 1944, tornou-se funcionário do Departamento de Contabilidade da Rede Ferroviária, em Jamalpur. Nesse período também atuou em vários jornais e periódicos. Simultaneamente, empreendeu sua missão como mestre de práticas espirituais baseadas no Tantra Yoga. Passou a ser conhecido como fomentador de projetos sociais e líder espiritualista e ético. Em 9 de janeiro de 1955, estabeleceu a organização Ananda Marga, que depois se propagou por todo o mundo.


Anandamurtii foi um grande defensor da justiça social. Em 1959, formulou uma teoria político-socioeconômica, que combina conceitos espirituais com libertação social e econômica, a qual chamou de Teoria da Utilização Progressiva (PROUT). Ele propôs a criação de Prout para resolver as dificuldades econômicas dos seres humanos. Em 1965, aposentou-se de seu emprego para dar total atenção à Ananda Marga.


Anandamurti adotou uma posição inflexível contra a corrupção e desafiou o status quo. Na medida em que sua ideologia se espalhou entre as massas, o governo indiano tentou bloquear sua influência. Em 1971, foi acusado falsamente de vários crimes e encarcerado sem direito a julgamento ou fiança. Em 12 de fevereiro de 1973, por ordens de agentes do governo, o médico da prisão envenenou-o. Anandamurti exigiu que fosse aberto um inquérito de tentativa do envenenamento. Como o governo se recusou a atendê-lo, em 1 de abril de 1973, iniciou um protesto por meio de jejum, fazendo a promessa estendê-lo até que fosse aberto um inquérito ou que ele fosse inocentado. Em julho de 1975, quando a Índia estava sob o Período de Emergência (suspensão de todas as regras democráticas), foi processado sob falsas acusações, teve negado seus direitos de defesa e foi sentenciado à prisão perpétua.


Após Indira Gandhi perder a sua candidatura à reeleição, os advogados de Anandamurti transferiram seu caso para a Corte Suprema. Em julho de 1978, alterando a decisão do tribunal de primeira instância, a Corte Suprema inocentou Anandamurti de todas as acusações e expressou profundo pesar pelo que considerou uma das “grandes barbaridades do sistema judiciário” da Índia moderna.

Em 2 de agosto de 1978, Anandamurti quebrou seu jejum após ser liberado da prisão pela Corte Suprema. Usando uma técnica iogue antiga de Kaya Kalpa, sobreviveu por 5 anos com uma dieta de um copo do iogurte ligeiramente salgado, com água, o qual era ingerido duas vezes ao dia. Nos anos seguintes, ele explicou o processo como sobreviveu durante a prisão.

Durante toda a sua vida, Anandamurti continuou a trabalhar incansavelmente em prol dos seres humanos injustiçados do mundo, e escreveu tratados filosóficos e científicos. Seus ensinamentos são tão vastos que seriam necessárias várias décadas para avaliar sua contribuição para o conhecimento humano. Foi o autor mais prolífico – tendo o maior número de livros e poemas da história da Humanidade. Além de uma extensa lista de livros adiante citados, mais de outros 100 títulos esperam para ser traduzidos e publicados.


Um Renascentista

Anandamurti possuiu vários talentos – filósofo, reformista social e mestre espiritual dedicado à missão de fazer uma transformação planetária. Combinou sensibilidade mística com dedicação profunda à vida. Com seus ensinamentos e ações, inspirou outras pessoas a desenvolverem-se até o ápice de sua potencialidade, para assumirem a responsabilidade de salvaguardar o bem-estar da Humanidade.


Anandamurti se contrapôs aos dogmas que impedem a expansão do espírito humano e encorajou uma luta ferrenha e incessante contra as forças da tirania. Sua motivação por justiça social estava fundamentada na inspiração espiritual e na compaixão ilimitada pelo sofrimento humano. Trabalhou para servir às pessoas pobres, sofridas, famintas e descamisadas deste mundo. Asseverou que os seres humanos devem se desenvolver de forma holística e se autorrealizar plenamente. Ensinou que o serviço à humanidade sofrida é serviço a Deus e que a realização humana plena é a união mística com Deus.


Citar os talentos e as realizações de Anandamurti significa pouco para expressar a grandeza por trás de suas realizações. Mesmo sendo difícil de entender sua vida, isso não quer dizer que ele era uma pessoa complexa – ele impressionou as pessoas por seu estilo simples, direto e consistente. O contrário se sucedia porque a profundidade de sua visão e a amplitude de sua sabedoria são incompreensíveis. Teve um intelecto surpreendente e uma personalidade atraente. Era motivado por um profundo sentimento missionário de promover a libertação no sentido mais amplo. Mesmo na idade avançada e com a saúde debilitada, trabalhava 20 horas por dia, sete dias por semana, para promover o bem-estar dos outros. Seu compromisso e seu amor pela Humanidade atraíram milhares de discípulos.

Anandamurti redefiniu o humanismo em uma filosofia que chamou de "Neo-humanismo”, a qual propõe que o bem-estar da Humanidade seja construído pelos ‘novos’ humanos: (1) que acreditam que a Humanidade é una e indivisível; (2) que amam todos os outros seres humanos como irmãos e irmãs; e (3) que consideram todos os animais, plantas e objetos inanimados como membros de uma extensa família universal e que, assim, merecem seu amor e cuidado. Acreditou que a crença religiosa, o status social e a riqueza pessoal possuem valor somente quando servem para manter o corpo, expandir o intelecto e elevar a alma.

Anandamurti acreditava que a Humanidade vive um momento crucial, entre a intensificação do caos, por um lado, e o renascimento planetário emergente, por outro. Incitou todas as pessoas boas a se oporem às forças negativas atuais, que fragmentam, oprimem e exploram a Humanidade. Incitou esses neo-humanistas inspirados no amor universal a esforçarem-se vigorosamente para acabar com a degradação da Humanidade, e para desencadear seu potencial físico, intelectual e espiritual mais elevado.


No século XXI

Hoje a economia global está no limiar de uma grande crise. Mais do que nunca, está claro que nem o modelo econômico capitalista nem o comunista podem materializar os sonhos da Humanidade. O que o mundo precisa é de uma filosofia que unifique todos os povos. Atualmente, a visão unificadora de Anandamurti para a libertação socioeconômico-política tem maior apelo do que quando foi proposta originalmente. Sua visão se refere a poderosos sentimentos arquétipos: viver uma vida plena de significado e compromisso, lutar por ideais elevados, atuar com profunda compaixão pelo povo sofrido e injustiçado, proteger a vida das comunidades e livrar a mente de dogmas constritivos. Esses são sentimentos que elevam a vida para além do trabalho do dia-a-dia e do vazio existencial, impregnando-a de espiritualidade, significado, propósito, profundidade e – acima de tudo – amor.

Anandamurti viveu sua vida cultivando a moral e o amor entre as pessoas dedicadas a essa tarefa nobre – exemplos vivos da grandeza humana. Com suas canções, escritos, poesias, ensinamentos, conduta pessoal e dedicação integral, procurou capacitar os outros com vigor, espiritualidade e pureza de intenção necessária para se criar um mundo melhor. Inspirou seus seguidores a trabalharem incessantemente pela criação de uma revolução política, econômica, cultural, social e espiritual. Seu modelo de liderança – focada no serviço compassivo e competente, que promova o bem-estar de todos – foi abraçado por milhares de pessoas que reconhecem sua sabedoria. Ele era um otimista incorrigível e infundiu esse espírito em seus seguidores. Mesmo nas épocas mais obscuras, inspirou coragem e esperança.


Contribuições de Anandamurti

As contribuições de Anandamurti abrangem uma gama de assuntos e atividades. No campo da botânica, para ajudar na preservação da diversidade genética ameaçada da Terra, estabeleceu uma rede de jardins botânicos que contêm mais de 50.000 espécies vegetais – mais do que qualquer outra coletânea botânica do planeta. No campo da zoologia, por sua solicitação, alguns santuários de animais foram estabelecidos em Bengala Ocidental, Índia, nos Estados Unidos e em outros países. Falou de forma enfática contra a destruição imprudente do habitat de animais selvagens para a utilização da terra por humanos e foi contrário à crueldade perpetrada contra animais utilizados para o consumo humano e práticas esportivas.

Como músico, Anandamurti compôs em apenas 8 anos, de 1982 a 1990, mais de 5.000 canções (chamadas Prabhat Samgiit). Seus poemas líricos expressam os mais nobres sentimentos humanos em uma linguagem que toca as pessoas de todas as classes sociais. Esses versos atraentes e tocantes combinam estilos tradicionais de diversas culturas, uma mistura perfeita da música clássica oriental com os estilos musicais da Antiga Pérsia, da Escandinávia, do Oriente Médio, da China e de outras regiões. Compôs canções para diferentes ocasiões: canções de devoção, do despertar espiritual, da natureza, da renascença social, canções populares, canções das crianças, e assim por diante. A cada ano, Prabhat Samgiit alcança novos índices de popularidade, e muitos luminares do mundo musical estão gravando suas músicas.

Anandamurti falou fluentemente cerca de 200 idiomas e teve a aptidão em escrever na maioria dos idiomas. Diversas universidades usam seus discursos sobre linguagem como textos de estudos linguísticos. Muitos lingüistas bengalis proeminentes aclamaram seu conhecimento de etimologia, pronúncia, gramática e filologia. Ele acrescentou ao vocabulário da língua bengali mais de 18.000 palavras, e tornou sua escrita mais sistemática, adicionando diversas letras a seu alfabeto. Também escreveu textos de gramática para o inglês e o híndi. Um dos projetos principais nos momentos finais de sua vida foi ditar uma enciclopédia de 26 volumes da língua bengali, chamada Shabda Chayaniiká, traduzida como “Antologia de Palavras.”

No campo da medicina, Anandamurti foi autor de livros sobre tratamentos fitoterápicos, terapia iogue, ayurveda e naturopatia, para as doenças mais comuns. Introduziu muitas práticas iogues que, se praticadas corretamente, previnem e curam vários problemas de saúde. Também formulou uma nova teoria chamada microvita, utilizada para explicar sistemas sutis de cura, tais como a homeopatia. As pesquisas que ele orientou sobre o microvita, esse novo campo da medicina, prenunciam a cura de doenças crônicas e agudas.

O sistema de educação que Anandamurti desenvolveu está sendo utilizado em quase 900 escolas da África e do Sul da Ásia. O último projeto que empreendeu antes de sua morte foi um novo sistema educativo bem detalhado, chamado Gurukul, que desenvolve o ensino desde o pré-escolar até os níveis de pós-graduação universitária. Como parte disso, criou as bases organizacionais para uma universidade, incorporando esse programa curricular em Bengala Ocidental.

A organização socioeconômica e política global, chamada Proutista Universal, foi inspirada pela filosofia social progressista de Anandamurti. Proutista Universal se engajou no desenvolvimento econômico das comunidades e em particular na criação de empresas cooperativas. Na Índia, diversos movimentos regionais proutistas estão engajados na disputa política popular. Planos de desenvolvimento regionais de Prout foram esboçados para o Togo, uma nação africana, e para uma pequena nação no Extremo Oriente da Rússia, revitalizando suas economias, que se encontravam em depressão. Além disso, Prout participou em debates internacionais entre ONGs para defender o desenvolvimento sustentável. Prout propõe que as populações busquem uma filosofia socioeconômica que promova uma sociedade sustentável, próspera e justa – uma sociedade baseada em valores humanos e princípios cardinais.

A vida pessoal de Anandamurti foi isenta de autopromoção, exploração espiritual ou defeitos morais, que muitos falsos líderes espirituais costumam demonstrar. Viveu uma vida de simplicidade e conduziu sua vida pessoal com virtude e decoro, comportando-se de uma maneira condizente com suas crenças.

Anandamurti foi um mestre incomparável de Yoga e Tantra, uma ciência espiritual mística. Modificou essas práticas espirituais milenares para se ajustarem à psique contemporânea, e treinou quase 2000 professores missionários com as técnicas de meditação, confiando-lhes a tarefa de oferecer práticas intuitivas, no mundo inteiro, a todas as pessoas que procuram o desenvolvimento espiritual. Consequentemente, suas técnicas iogues para o desenvolvimento espiritual, ético e físico são ensinadas pelo mundo inteiro gratuitamente. Milhões de pessoas em todo o mundo foram beneficiadas por tal sistema de meditação.

Juntamente com a modernização das práticas espirituais, revigorou os conceitos que sustentam a experiência espiritual real. Em seus discursos, apresentou temas filosóficos centrais de nossos tempos, resolvendo as aparentes contradições entre ciência e misticismo, idealismo e materialismo, ação e desapego, concepções imanentes e transcendentes de Deus, ideias relativas e absolutas de éticas, e deu uma abordagem pessoal e política à libertação.

Durante sua vida Anandamurti, deu extensos discursos sobre uma grande variedade de assuntos, que agora estão sendo traduzidos e publicados. É autor de mais de 260 livros, que apresentam tópicos de história, economia, sociologia, política, ética, linguística, cultura, civilização, agricultura, medicina, psicologia, filosofia, práticas espirituais, cosmologia e Tantra. Seu tratado filosófico básico, chamado Ánanda Sútram, esboça a filosofia social e espiritual sob a forma de aforismos em sânscrito, acompanhados de um breve comentário. Outros trabalhos filosóficos incluem Ideia e Ideologia, mais de 30 volumes do Subhás'ita Sam'graha (uma coletânea de discursos espirituais), mais de 45 volumes do Ánanda Vacanámrtam (palestras devocionais), Namámi Krs'n'a Sundaram (a vida e os ensinamentos de Krishna sob a luz das filosofias indianas antigas) e Namah Shiva'ya Sha'nta'ya (a vida e os ensinamentos de Shiva, que viveu 7.000 anos atrás, nas montanhas do Himalaia, à luz da evolução de filosofias e culturas espirituais). No livro A libertação do intelecto – Neo-humanismo, o autor expôs uma nova visão para o progresso humano, baseada em valores universais e princípios éticos. O neo-humanismo expande os limites do humanismo contemporâneo, incluindo os animais, as plantas e o mundo inanimado – na verdade, toda a criação. Em Um guia para a conduta humana discute os códigos morais para o século XXI, que são um pré-requisito para aquelas pessoas que desejam dedicar suas vidas ao serviço altruísta à Humanidade. Os trabalhos do autor sobre sociologia incluem o compêndio Sociedade Humana, em dois volumes, Discursos sobre Prout e Problemas do mundo atual. Esses livros e muitos outros discursos estão inseridos na coletânea PROUT in a Nutshell, de 21 volumes. Igualmente, deu diversos discursos sobre agricultura, que foram editados no livro Cultivo Ideal. Publicou diversos livros para crianças, incluindo: O lótus dourado do mar azul, Nas profundezas do mar azul, Na terra de Hattamala, Tara Bandha Chara e Nutan Varna Parichaya. Também publicou uma coletânea de 14 volumes de histórias chamadas Galpa Sainchaya (breves narrações educativas e divertidas) assim como diversas peças teatrais. Esboçou uma nova teoria baseada nas mais minúsculas entidades da criação, que está editado no livro chamado Microvitum in a Nutshell, e deu vários discursos sobre psicologia e sobre o potencial da mente humana, alguns dos quais estão incluídos no volume Psicologia do Yoga. Deu um novo tratado sobre o tratamento iogue, chamado Tratamento iogue e medicina natural.

Os discursos de Anandamurti sobre o idioma bengali e outras línguas indianas foram incorporados aos 26 volumes de Shabda Chayaniika, chamada Enciclopédia, enquanto diversos livros adicionais sobre filologia incluem Varn'a Vijina'na, Varn'a Vicitra', assim como um dicionário bengali chamado Laghu Nirukta. Igualmente, publicou um livro sobre gramática inglesa, intitulado Sarkar's English Grammar.


Esses múltiplos discursos serviram para fundamentar o que Anandamurti chamou de revolução nuclear, que significa não somente uma revolução socioeconômica, mas também uma revolução espiritual e cultural – uma total e holística transformação da sociedade humana.

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