terça-feira, 22 de junho de 2010

O Chocolate Quente e as Canecas

Um grupo de jovens formados e bem estabelecidos em suas carreiras, estavam conversando sobre suas vidas em uma reunião de ex-colegas. Então decidiram que visitariam um velho professor do tempo de faculdade, agora aposentado, e que fora sempre uma inspiração para eles.

Durante a visita, o bate-papo se transformou em reclamação sobre o estresse em seus trabalhos, vidas e relacionamentos.

Ao oferecer chocolate quente a seus visitantes, o professor foi na cozinha e retornou com uma jarra cheia da bebida e com uma variedade grande de canecas. Algumas eram de porcelana, outras de vidro, outras de cristal… umas simples, outras bem caras e bonitas, e outras bem feias. Então ele convidou cada um a se servir da bebida.

Quando todos já estavam com uma caneca do chocolate quente em mãos, o professor compartilhou seu pensamento...

- Percebam que todos as canecas caras e bonitas foram as escolhidas, e que as simples e baratas foram deixadas na mesa. Embora vocês achem normal desejarem somente as melhores para si, é aí que está a fonte de seus problemas e estresse.

A caneca no qual você está bebendo, não acrescenta nada à qualidade da bebida. Na maioria das vezes, ela é apenas mais cara. Às vezes, ela até esconde o que estamos bebendo.

O que cada um de vocês queria, na verdade, era chocolate quente. Vocês não queriam a caneca… mas vocês conscientemente escolheram as melhores. E logo vocês começaram a olhar um para as canecas dos outros.

Agora amigos, por favor, considerem o seguinte... A vida é o chocolate quente. Seu emprego, seu dinheiro e sua posição na sociedade são as canecas. Elas são apenas ferramentas que fazem parte da vida. São importantes, mas não é essencial que sejam as mais caras e bonitas para conterem o melhor chocolate quente.

As canecas que vocês têm em mãos não definem nem mudam a qualidade de vida que vocês vivem. Às vezes, ao concentrarmos somente na caneca, deixamos de saborear o chocolate quente que Deus tem nos ofertado.

Lembrem-se sempre disto... Deus provê o chocolate. Ele não escolhe a caneca.


As pessoas mais felizes não são as que têm o melhor de tudo.
Mas simplesmente as que fazem o melhor de tudo que têm!

Vivam simplesmente... Amem generosamente... Deixem o resto com Deus.
Os mais ricos não são os que têm mais, mas os que precisam de menos.

Concerto de 1000 citaras

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Entrevista com um Tuareg


Uma bonita entrevista com um tuareg realizada por:
VÍCTOR-M. AMELA a: MOUSSA AG ASSARID)

- Não sei minha idade. Nasci no Deserto do Saara, sem documentos.
- Nasci em um acampamento dos nômades tuaregs entre Timbuctu e Gao, ao norte de Mali, Fui pastor de camelos, cabras, cordeiros e vacas de meu pai. Hoje estudo gestão na Universidade de Montpellier.
- Estou solteiro. Defendo aos pastores tuaregs.
- Sou muçulmano, sem fanatismo.

- Que turbante tão formoso!
- É uma fina tela de algodão: permite tapar o rosto no deserto, e continuar a ver e respirar através dele.

- É de um azul belíssimo…
- Nós, os tuaregs, somos chamados de homens azuis por isso:
- O tecido solta alguma tinta e nossa pele adquire tons azulados.

- Como conseguem esse tom de azul anil?
- Com uma planta chamada índigo, mesclada com outros pigmentos naturais. Para os tuaregs o azul é a cor do mundo.

- Porque?
- É a cor dominante: é a cor do céu, do teto de nossa casa.

- Quem são os tuaregs?
- Tuareg significa “abandonados”, porque somos um velho povo nômade do deserto, solitários e orgulhosos: “Senhores do Deserto, é como nos chamam. Nossa etnia é a amasigh (bereber), e o nosso alfabeto, o tifinagh.

- Quantos são?

- Uns três milhões, e a maioria permanece nômade.
- Mas a população diminue. “É preciso que um povo desapareça, para que saibamos que ele existiu!” Apregoava um sábio. Eu luto para preservar esse povo.

- A que se dedicam?
- Pastoremos rebanhos de camelos, cabras, cordeiros, vacas e asnos num reino de imensidão e de silêncio

- O deserto é realmente tão silencioso?
- Quando se está sozinho naquele silêncio, ouve-se o batimento do próprio coração. Não há lugar melhor para se estar sozinho.

- Quais recordações de sua infância vc conserva com maior nitidez?
- Desperto com a luz do sol e ali estão as cabras de meu pai. Elas nos dão leite e carne, nós a levamos onde há água e pasto… Assim fizeram meu bizavô, meu avô e meu pai… e eu.
- Não havia outra coisa no mundo além disso. E eu era muito feliz com isso.
- Mas é muito! Aos sete anos já te deixam afastar-se do acampamento para que aprendas coisas importantes: farejar o ar, escutar, apurar a vista, orientar-se pelo sol e as estrelas… E a deixar-se levar pelo camelo, se vc se perder. Ele te levará onde há água.

- Saber isso é valioso, sem dúvida…
- Ali tudo é simples e profundo.
- Existem muito poucas coisas. E cada uma tem um enorme valor!

- Então esse mundo e aquele são muito diferentes, não?
- Ali cada pequena coisa te proporciona felicidade.
Cada toque é valorizado. Sentimos uma enorme alegria pelo simples fato de nos tocarmos e estarmos juntos. Ali ninguém sonha com chegar a ser, porque cada um já o é!

- O que mais o chocou em sua primeira viagem à Europa?
- Ver as pessoas correndo pelo aeroporto. No deserto só se corre quando vem uma tempestade de areia. Me assustei. É claro!

- Então esse mundo e aquele são muito diferentes, não?
-Ali cada pequena coisa te proporciona felicidade.
Cada toque é valorizado. Sentimos uma enorme alegria pelo simples fato de nos tocarmos e estarmos juntos. Ali ninguém sonha com chegar a ser, porque cada um já o é!
O que mais o chocou em sua primeira viagem à Europa?
Ver as pessoas correndo pelo aeroporto. No deserto só se corre quando vem uma tempestade de areia. Me assustei. É claro!

- Eles apenas iam buscar suas malas…
- Sim! Era isso. Também vi cartazes de mulheres nuas. Me perguntei: porque essa falta de respeito para com a mulher?
Depois, no Íbis Hotel, vi a primeira torneira da minha vida, vi a água correndo e senti vontade de chorar…
- Que abundância! Que desperdício! Não?
- Todos os dias da minha vida consistiam-se em procurar água.
Quando vejo as fontes ornamentais aquí e acolá, continuo sentindo por dentro uma dor tão intensa…

- Tanto assim?
- Sim! No começo dos anos 90 houve uma grande seca. Morreramos animais e nós adoecemos. Eu tinha uns 12 anos e minha mãe morreu. Ela era tudo para mim! Me contava histórias e ensinou-me a contá-las muito bem. Ela me ensinou a ser eu mesmo.

- O que sucedeu com sua família?
- Convenci meu pai que me deixasse ir à escola. Quase todo dia caminhava 15km. Até que um dia o professor me arranjou um lugar para dormir e uma senhora me dava o que comer, quando eu passava em frente à sua casa.
- Entendi que essa ajuda vinha de minha mãe.

- De onde surgiu esse desejo de estudar?
Uns dois anos antes, havia passado pelo nosso acampamento o rally Paris-Dakar, e uma jornalista deixou cair um livro de sua Mochila. Eu o apanhei e lhe entreguei. Ela me deu o mesmo de presente. Era um exemplar do Pequeno Príncipe e eu me prometi que um dia conseguiria lê-lo.

- E conseguiu.
- Sim! Foi assim que consegui uma bolsa de estudos na França.
- Um Tuareg na universidade!

- Ah, o que mais sinto falta aqui é o leite de camela... E o calor da
fogueira, e de andar com os pés descalços na areia quente.
Lá nós olhamos as estrelas todas as noites e cada estrela é diferente das outras como cada cabra é diferente.
Aqui, à noite, você olha para TV.

- Sim! E o que vc acha pior aqui?
- Vocês tem tudo, mas não acham suficiente. Vocês se queixam.
Na França passam a vida reclamando! Aprisionam-se pelo resto da vida à uma dívida bancária, num desejo de possuir tudo
rapidamente ...

- No deserto não há congestionamentos. e você sabe por quê?
Porque lá ninguém quer ultrapassar ninguém!

- Conte-me um momento de extrema felicidade no seu deserto distante.
- Todo dia, duas horas antes do pôr do sol: a temperatura abaixa,
mas ainda não chegou o frio, e os homens e os animais,
lentamente voltam para o acampamento e seus perfis são
recortados em um céu cor de rosa, azul, vermelho, amarelo, verde...

Aquí vocês tem relógio…

… lá temos tempo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Gengibre

Está chegando o inverno, por isso, este é o momento ideal para falarmos mais sobre uma raiz muito preciosa, capaz de trazer muitos benefícios ao organismo: o gengibre.

Cultivada e muito utilizada no Oriente há milhares de anos, o gengibre (zingiber officinalis) é um ingrediente básico e quase obrigatório nas culinárias japonesa, tailandesa e chinesa e indiana. Mas suas propriedades vão muito além do sabor forte e picante, que normalmente agrada o paladar e confere um toque todo especial aos pratos que são preparados com ele. Na medicina ayurvédica, por exemplo, é chamado de “remédio universal”, pela grande variedade de benefícios que proporciona à saúde.

O gengibre produz calor no organismo e age de forma eficaz em casos de gripes, tosse, rouquidão, congestão nasal, dores de garganta e outras infecções, atenuando seus sintomas e fortalecendo o sistema imunológico, por isso, sua utilização é muito indicada para tratar e prevenir os males a que estamos sujeitos durante as épocas mais frias do ano.

Esta capacidade de esquentar o corpo também provoca uma aceleração no metabolismo, ativa a circulação, estimula a mente e mantém a vitalidade. Uma boa dica é fazer um escalda pés ou preparar um banho com algumas gotas do óleo essencial de gengibre naqueles momentos em que nos sentimos sem ânimo, apresentando sintomas típicos de depressão, ou esgotados após um dia estressante de trabalho, por exemplo.

É antiinflamatório, antibactericida e alivia dores musculares, de cabeça e cólicas menstruais. Nos casos de contraturas musculares, lombalgia, cervicalgia, reumatismo e artrose, pode-se massagear as regiões afetadas com o óleo essencial diluído em óleo vegetal, fazendo movimentos fortes e fricção, que produzirão efeitos de aquecimento e analgesia.

Pesquisas também comprovaram sua atuação no sistema digestivo e é ótimo para combater náuseas e enjôos, inclusive por pessoas que sofrem com estes sintomas durante deslocamentos de barco ou de carro. Apesar de sua ingestão ser contra indicada durante a gravidez, as mulheres podem utilizar algumas gotas do óleo essencial em um difusor de aromas para aliviar os enjôos característicos dos primeiros meses de gestação. Pacientes que estão sendo submetidos a tratamento com quimioterapia também experimentam um grande alívio das náuseas causadas pelos medicamentos.

Você pode incluí-lo no preparo de diversos alimentos, como sucos, sopas, saladas e refogados. Para um uso mais medicinal, o ideal é preparar um chá com as raízes e consumi-lo entre as refeições. Você pode também misturar com outras ervas, como hortelã, eucalipto e capim limão, se o objetivo for tratar de problemas causados por gripes e resfriados. O consumo diário do chá é muito eficaz na prevenção de crises de enxaqueca. Para combater enjôos, basta mastigar um pouco dele cru, com exceção das gestantes, que devem utilizar apenas o óleo essencial, num difusor de ambientes. Também é encontrado, em lojas de produtos naturais, em forma de comprimido e tintura.